Numa escola muito heterogénea, onde estudam alunos de várias classes sociais, durante uma aula de português, a professora pergunta: – Quem sabe fazer uma frase com a palavra “óbvio”?
Rapidamente, Luísa, menina rica, uma das mais aplicadas alunas da classe, respondeu:- Prezada professora, hoje acordei bem cedo, depois de uma ótima noite de sono no conforto de meu quarto. Desci a enorme escadaria da nossa residência e dirigi-me à copa onde era servido o pequeno-almoço. Depois de deliciar-me, fui até a janela que dá vista para o jardim de entrada. Percebi que se encontrava guardado na garagem o automóvel BMW do meu pai. Pensei com meus botões: É ÓBVIO que o meu pai foi para o trabalho de Audi.
Sem querer ficar para trás, o Miguel, oriundo de uma família da classe média, acrescentou:
– Professora, hoje eu não dormi muito bem, porque o meu colchão é meio duro. Mas consegui acordar assim mesmo, porque pus o despertador ao lado da cama. Levantei-me meio zonzo, comi um pão meio duro e tomei um copo de leite. Quando saí para a escola, vi que o carocha do meu pai estava na garagem. Imaginei: É ÓBVIO que o pai não tinha dinheiro para a gasolina, foi para o trabalho de autocarro.
Embalado na conversa, o Manel, vindo diretamente da classe baixa (é óbvio), também quis responder:
– Fessora, hoje eu quase não durmi, porquê teve uma algazarra de ciganos e bêbados até tarde lá no bairro de lata onde moro. Só acordei de manhã porque tava a morreri de fome, mas não tinha nada pra cumeri… quando olhei pela janela da barraca, vi a minha avó com o jornal debaixo do braço e pensei: – É ÓBVIO que ela vai cagari. Nam sabe lêri…
